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Entenda como o WhatsApp combate spam sem ler mensagens criptografadas

O WhatsApp revelou na última quarta-feira (6) que bane mensalmente mais de dois milhões de contas que promovem spam pelo mensageiro. A empresa elaborou formas de identificar usos irregulares do aplicativo sem precisar ler as mensagens dos usuários, que são protegidas por criptografia ponta a ponta. Dessa forma, comportamentos não permitidos, como o envio de mensagens automatizadas e em grandes quantidades – o famoso “spam” – podem ser detectados sem invadir a privacidade das conversas. Vale lembrar que o novo limite de encaminhamento de mensagens só permite enviar o mesmo conteúdo para apenas cinco contatos por vez.

Ainda de acordo com o material oficial divulgado pela companhia, 75% das contas removidas por ações inadequadas são identificadas por meio do algoritmo de aprendizado de máquina do app. Para saber mais sobre como esse sistema de inteligência funciona, confira a seguir as estratégias desenvolvidas pela engenharia de software do WhatsApp.

Os três estágios do combate ao spam

Para banir usuários sem ler o conteúdo das conversas privadas, o WhatsApp usa metadados do registro no aplicativo e a taxa de envio de mensagens. Por meio dessas informações, não é preciso decriptar o bate-papo. Tudo ocorre por meio do sistema de Machine Learning, um campo de Ciência da Computação que combina inteligência artificial e reconhecimento de modelos. Desse modo, a detecção de abusos se dá em três estágios. Primeiramente, no próprio momento de registro da conta. Em seguida, durante a escrita e envio de mensagens. Finalmente, as reações negativas, por meio de denúncias e bloqueios, também ajudam no combate às contas abusivas.

No momento de registro, os dados do aparelho em que a conta é criada permitem ao WhatsApp verificar suas coordenadas. O número de telefone, o endereço IP do celular e outros detalhes podem ser utilizados para detectar a origem de um problema. O mensageiro consegue verificar se a conta está sendo criada de um mesmo telefone ou de uma mesma rede que mostrou atividade suspeita. Nesse caso, é provável que o aplicativo remova a conta quando o usuário tentar registrá-la. Só nos últimos três meses, o WhatsApp revelou que 20% de contas foram banidas no momento em que eram registradas.

A avaliação de mensagens em tempo real é o segundo estágio. Aqui, é a intensidade de uso que faz a diferença. É relativamente fácil identificar abusos nesse momento – afinal de contas, usuários bem intencionados usam o aplicativo com moderação ao encaminhar conteúdo apenas ocasionalmente. Por outro lado, se uma pessoa envia 400 mensagens por minuto, por exemplo, é bem provável que a conta esteja relacionada a um esquema de uso abusivo do mensageiro.

Entenda como o WhatsApp combate spam sem ler mensagens criptografadas — Foto: Paulo Alves/TechTudoEntenda como o WhatsApp combate spam sem ler mensagens criptografadas — Foto: Paulo Alves/TechTudo

Entenda como o WhatsApp combate spam sem ler mensagens criptografadas — Foto: Paulo Alves/TechTudo

As reações negativas a uma conta são, enfim, outra ferramenta que permite banir usuários sem que as mensagens sejam lidas. As denúncias enviadas são categorizadas pelo WhatsApp e permitem compreender as motivações das contas que enviam mensagens indesejadas, como espalhar informação falsa (fake news) ou mesmo vender um produto. O software também estimula a proteção contra o envio de mensagens impróprias ao oferecer a opção de bloqueio de informações para números desconhecidos.

Para aprimorar a identificação de reações negativas, o app também filtra bloqueios injustos. Assim, do mesmo modo que o WhatsApp se esforça para identificar o envio excessivo de mensagens, um grande número de denúncias direcionadas a um mesmo usuário também pode ser investigado. Uma das formas de fazer isso é verificar se os números de telefone que efetuaram as denúncias interagiram de fato com a pessoa denunciada.

Aparentemente, as medidas estão funcionando. Em fevereiro de 2018, a empresa divulgou que conta com 1,5 bilhão de usuários ativos por mês. Desse total, são removidas cerca de duas milhões de contas mensalmente. Cerca de 25% dos usuários são excluídos devido às denúncias de outras pessoas. A maior parte é banida, portanto, graças aos esforços de engenharia de software que o WhatsApp vem promovendo.

Outras iniciativas contra usos abusivos

Além de lutar contra o envio automatizado de mensagens, há outras formas de identificar comportamentos abusivos. Uma delas é o aviso de mensagem encaminhada. Com o recurso, o usuário pode descobrir se a mensagem recebida foi realmente criada por quem a enviou.

Desde o mês passado, o WhatsApp limitou o encaminhamento de mensagens para somente cinco contatos. Em resposta ao TechTudo, a empresa diz que a função “vai ajudar a manter o aplicativo focado em mensagens privadas com contatos próximos”. Inicialmente, o app permitia o envio de um mesmo conteúdo para mais de 200 pessoas simultaneamente.

O rótulo de "Encaminhada" vem nas mensagens compartilhadas — Foto: TechTudo/Helito BijoraO rótulo de "Encaminhada" vem nas mensagens compartilhadas — Foto: TechTudo/Helito Bijora

O rótulo de “Encaminhada” vem nas mensagens compartilhadas — Foto: TechTudo/Helito Bijora

Desafios que persistem no combate ao spam

Uma dificuldade que a empresa enfrenta são as versões modificadas não-autorizadas do aplicativo, como o GB WhatsApp e o Yo WhatsApp. Os programas violam os termos de serviço da companhia e colocam em risco a segurança dos usuários. Por isso, a melhor forma de proteção é fazer o download do WhatsApp apenas no site oficial ou nas lojas de apps do Android e iPhone (iOS), ou seja, Google Play e App Store, respectivamente.

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